Como professor da rede pública municipal já pensei várias vezes em processar os pais dos alunos que desrespeita-me em sala de aula, causando vexame diante da classe. (professor Valdemir Mota de Menezes, o Escriba)
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Esse aconteceu em Porto Alegre, há cerca de um mês. Professor de Física e diretor de um colégio, o homem estava dando sua aula até que surgiu a ‘aluna turista’ (aquele tipo que aparece só para visitar a escola, sabe?). A menina sentou-se e começou a falar alto no fundo da sala, enquanto o infeliz do professor tentava explicar um conteúdo complicado. O cara se segurou até o momento em que o celular da aluna tocou e (pasmem!) ela atendeu dentro da sala. Aliás, faço um parêntese para dizer que isso não é a coisa mais rara do mundo. Há inclusive pais que ligam para o celular de seus filhos em pleno horário de aula. Não existe mais telefone na escola, parece. Mas, enfim. Diante da situação, o professor repreendeu a menina, que saiu se esgoelando de tanto chorar e foi para casa no maior estilo Chiquinha: “o professor me xingou e me humilhou e me espancou e blá-blá-blá…”. Não deu outra: a mãe processou o professor por ter repreendido sua filhinha em público, por danos morais, essas coisas. No e-mail que recebi, o docente desabafa e fala sobre o desejo de abandonar para sempre a educação.
O que comentar sobre esse caso? Se cada professor resolvesse processar o aluno que atrasa seu trabalho, alegando impedimento ao exercício da profissão (nem sei se isso existe, mas tem lei para tudo atualmente), então eu acho que a situação se inverteria. Contemos, professores, a quantidade de vezes que paramos nossas aulas para pedir silêncio, para pedir atenção, para pedir que tirem os fones de ouvido, para pedir que desliguem os celulares. A educação passa por uma crise que ninguém enxerga. Ou faz de conta que não enxerga. É uma das poucas áreas em que o profissional parece não ter autonomia, porque a legislação simplesmente não o ampara, não o protege e, por vezes, parece ir contra ele. Um dia não haverá mais professores. A sociedade vai implorar por mestres. E talvez nesse dia percebam nossa importância. Aliás, percebam nossa humanidade, porque os professores são humanos, têm famílias, se divertem, ficam cansados, levam trabalho para casa.
Sou professora. Amo o que eu faço. E é por esse amor que zelo pela minha profissão. No dia em que ir para a escola for legal, divertido e gostoso para o aluno, então estaremos dando um passo a favor da educação. Por enquanto, fica a tristeza e a incompreensão pela frieza, indiferença e injustiça com que o país trata os docentes.
Fonte:
http://folhadomate.tempsite.ws/revisandoconceitos/?p=632